terça-feira, 7 de agosto de 2012

Cantando o Brasil: programa



Um breve panorama da música de concerto brasileira: A música erudita brasileira nasceu nas igrejas no barroco mineiro e baiano. Ao longo dos séculos, a construção de uma identidade musical genuinamente brasileira ainda é passível de muita discussão, pois a nossa formação musical sofreu larga influência europeia, fruto da opressão colonizadora que o Brasil viveu desde o seu descobrimento até o final do século XIX. 
 Essa vertente da produção musical brasileira por muitos é considerada como o último tesouro ainda por ser descoberto e verdadeiramente explorado da cultura do país. À exceção do célebre Villa-Lobos, e também de Camargo Guarnieri, pouco se conhece a respeito dessa imensa produção musical. Isso se dá tanto nos meios internacionais como, espantosamente, entre os próprios músicos brasileiros, que bastante sabem e executam Mozart, Beethoven e Brahms, mas que pouca informação tem de compositores brasileiros contemporâneos e mesmo de outros períodos.
Somente no século XX, que a música nacionalista brasileira introduziu-se e foi consolidada. Nessa época, nomes como Alberto Nepomuceno e Brasílio Itiberê da Cunha eram ignorados pelas ditas excessivas brasilidades de suas composições e admitia-se Carlos Gomes pelo seu grande sucesso na Europa.
É a partir de Villa-Lobos que o Brasil e o mundo descobrem a música erudita e o país passa, desde então, a produzir talentos em série: Lorenzo Fernandez, Francisco Mignone, Radamés Gnatalli, Camargo Guarnieri, Guerra-Peixe, Cláudio Santoro, Edino Krieger, Waldemar Henrique e Marlos Nobre são alguns desses expoentes. Esses compositores se debruçaram à pesquisa da música dos índios, das nossas lendas amazônicas e também do ritmo e expressiva música de matriz africana, trazida pelos negros escravizados.
Daí a importância da difusão desse repertório para as grandes massas, pois quando se fala de música brasileira, a primeira (e muitas vezes, única) referência que se faz é da MPB como publicou certa feita, o jornalista Irineu Franco Perpétuo: “Para o bem ou para o mal, os intelectuais orgânicos brasileiros, na área de música, são gente como Chico Buarque, Caetano Veloso e Milton Nascimento e não Almeida Prado, Edino Krieger ou Gilberto Mendes, por mais que possamos admirar e respeitar o talento desses compositores”.
A música erudita brasileira é fresca, dotada de elementos únicos, riquíssima e fascinante por ser cosmopolita. Mas mesmo hoje, o Brasil ainda é um país que não percebeu o devido valor da música de concerto, apreciadíssima hoje em dia na França, Alemanha e até no Japão, talvez por causa de nossa história ou de nossa situação político-econômica. Os músicos eruditos e os artistas em geral são como na opinião do professor Koellreutter, "uma espécie de Quixotes, que lutam contra os moinhos de ventos". (Carlos Eduardo Santos)


PROGRAMA

LUA BRANCA - Chiquinha Gonzaga
ACALANTO - Sérgio Bittencourt- Sampaio
NASCENTE - Flávio Venturini/ Mário Antunes arr.: Alexandre Zilahi
RECOMENDAÇÃO - Babi de Oliveira
MELODIA SENTIMENTAL - Heitor Villa Lobos
NHAPOPÉ - Heitor Villa Lobos
FOI BÔTO, SINHÁ - Waldemar Henrique
COBRA GRANDE - Waldemar Henrique
ODEON – Ernesto Nazareth
CANCIONEIRO DE LAMPIÃO, nº 2 (É LAMP, É LAMP É LAMPA) - Marlos Nobre
FUNERAL D’UM REI NAGÔ - Heckel Tavares
XANGÔ - Babi de Oliveira
CANTO PARA YEMANJÁ - Tradição Ketu arr.: Ciro Costa
IEMANJÁ ÔTÔ - Marlos Nobre
ESTRÊLA DO MAR - Marlos Nobre
AMOR EM LÁGRIMAS - Cláudio Santoro
VELEIRO - Sérgio Bittencourt-Sampaio
SERENATA - Alberto Costa
CANÇÃO DO POETA DO SÉCULO XVIII - Heitor Villa Lobos
FIZ DA VIDA UMA CANÇÃO - Waldemar Henrique
UIRAPURU - Waldemar Henrique arr.: Eduardo D. Carvalho

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